Iniciativa da FAS com Dell, Intel e Computer Aid transforma a comunidade Boa Esperança (AM) com tecnologias sustentáveis, formação ambiental e inovação com IA.
As mudanças climáticas na Amazônia e a resposta comunitária
As mudanças climáticas já são uma realidade no mundo. Entre agosto de 2023 e julho do ano passado, o desmatamento na Amazônia caiu 30,63% em relação ao período anterior, representando a maior queda em 15 anos. Ainda assim, 6.288 km² foram afetados, segundo dados do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A preocupação se intensifica diante do aumento dos focos de calor e queimadas no bioma.
Com base nessas preocupações ambientais e na necessidade de adaptação climática, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Dell Technologies, Intel e Computer Aid lançarão a iniciativa “Quintais de Floresta: uma alternativa para adaptação e mitigação às mudanças climáticas”, parte do projeto Solar Community Hub (SCH), na comunidade Boa Esperança, localizada em Manicoré (AM), no entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Amapá.
O que são os “Quintais de Floresta”
Os “Quintais de Floresta” são sistemas agroflorestais (SAFs), implantados com o objetivo de garantir segurança alimentar às comunidades, ao mesmo tempo que integram a bioeconomia local. Esses sistemas contribuem diretamente para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, promovendo conservação da biodiversidade, armazenamento de carbono, melhoria da qualidade do solo e regulação do ciclo hídrico.
“É um trabalho que destaca a importância da biodiversidade na conservação da Amazônia e na sustentação das comunidades locais, possibilitando assegurar um futuro mais sustentável para as atuais e futuras gerações”, explica Fabiana Cunha, gerente do Programa Educação para a Sustentabilidade da FAS.
Energia solar e conectividade: a base do Solar Community Hub
O SCH foi implantado na comunidade Boa Esperança em 2022 e atua em quatro eixos principais: monitoramento socioambiental, educação, infraestrutura e saúde. Movido inteiramente por energia solar, o espaço fornece acesso à internet e tecnologia, beneficiando não só Boa Esperança, como também outras dez comunidades ribeirinhas, incluindo uma comunidade indígena formada pelos povos Mura, Tenharim e Apurinã.
Entre os serviços oferecidos, estão:
- Conectividade e inclusão digital;
- Cursos de formação profissional e educação ambiental;
- Atendimentos via telemedicina e capacitação de agentes de saúde;
- Coleta e filtragem da água da chuva para fornecer água potável à comunidade.
Educação climática: formando multiplicadores
No novo ciclo da iniciativa “Quintais de Floresta”, o eixo educacional ganhará reforço com a capacitação de professores sobre mudanças climáticas — abordando causas, consequências e soluções. A expectativa é que os educadores se tornem multiplicadores, engajando os estudantes como protagonistas da transformação ambiental.
“Durante a formação de professores, será discutida a conexão entre tecnologia e educação ambiental, enfatizando a relevância de metodologias que promovam a reflexão e a autonomia dos alunos. O objetivo é capacitar os educadores a desenvolver projetos que envolvam a participação ativa dos alunos, levando em conta, por exemplo, a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAF) coletivos na comunidade,” explica Iarima Lopes, educadora ambiental da FAS.
Água, saúde e infraestrutura sustentável
Na área de saúde, o projeto prevê mapeamentos sobre hábitos alimentares e socioambientais, realização de webpalestras e atendimentos psicológicos aos moradores da comunidade.
No eixo de infraestrutura, será instalado um sistema para captação, armazenamento e reutilização da água da chuva, com calhas e filtros. A estrutura será implementada em ambiente escolar, permitindo acesso à água potável para a comunidade e para irrigação das espécies plantadas nos quintais agroflorestais.
Inteligência Artificial a serviço da biodiversidade
O eixo de monitoramento socioambiental será ampliado com a capacitação de jovens locais para coleta de dados ambientais. A proposta é validar dados de satélite, treinar os participantes para gestão territorial, uso de drones e compreensão dos impactos do desmatamento e queimadas.
Esses dados serão visualizados em um painel Power BI, facilitando a tomada de decisões com base em análises mais precisas.
Um destaque nesta etapa é o projeto Curupira, desenvolvido pelo Laboratório de Sistemas Embarcados (LSE) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que utiliza inteligência artificial para monitoramento ambiental mais eficiente. A tecnologia será transversalizada ao eixo educacional sob o nome Uirapuru, com sensores capazes de identificar espécies da fauna na região.
Essas informações serão usadas pela FAS para sensibilizar a comunidade sobre a importância da biodiversidade para o equilíbrio do ecossistema.
Um modelo de desenvolvimento sustentável na floresta
Com energia limpa, conectividade, agroflorestas e tecnologia, o Projeto Solar Community Hub e os Quintais de Floresta representam um modelo prático de desenvolvimento sustentável na Amazônia. A iniciativa alia inovação tecnológica à valorização do conhecimento tradicional, mostrando que é possível transformar realidades locais diante dos desafios globais das mudanças climáticas.


