Amor pela casa

Arquitetura emocional volta com força entre jovens em 2025

Foto: Divulgação

Geração Z busca mais que imóveis: quer identidade, conforto e bem-estar. Arquitetura dos Anos 50 inspira o conceito de morar com propósito.


Jovens querem mais do que um imóvel: buscam pertencimento

Para a nova geração, comprar a casa própria continua sendo um sonho — mas com novas exigências. Segundo a pesquisa O comportamento do consumidor de imóveis em 2040, feita pela Deloitte e ABRAINC, 52% dos nascidos entre 1996 e 2009 querem comprar um imóvel, e a meta figura entre as cinco mais citadas de sucesso pessoal.

No entanto, não basta apenas comprar: é preciso se identificar com o imóvel, sentir-se representado, acolhido e conectado com o espaço.


Arquitetura emocional ressurge como tendência forte

Neste novo contexto, um conceito clássico voltou à cena: a arquitetura emocional. Inspirada nos anos 1950 e popularizada por Luis Barragán com o projeto do Museu Experimental El Eco, no México, essa abordagem foca no bem-estar emocional e na experiência sensorial do morar.

A arquiteta Rafaela Giudice, do BESPOKE DELA, afirma que a pandemia reforçou essa percepção:

“Com mais tempo dentro de casa, a importância de ambientes que transmitam identidade e conforto cresceu. A casa deixou de ser apenas funcional para se tornar emocionalmente significativa.”


Geração Z dita novas regras de projeto

Os jovens estão mais exigentes e conscientes do que desejam. A mesma pesquisa da Deloitte mostra que os imóveis ideais precisam reunir mais de 36 atributos considerados essenciais, incluindo:

Rafaela destaca que essa lista extensa pode gerar ansiedade, mas também abre portas para projetos mais personalizados e únicos.


A importância da escuta ativa na arquitetura

“Projetar uma casa é também um exercício de autoconhecimento”, afirma Rafaela.

Segundo ela, o papel do arquiteto é traduzir o cliente em espaços, por meio de uma escuta sensível e técnica. Isso evita excessos e otimiza orçamento, tempo e qualidade de entrega.

“A arquitetura autoral e emocional não entrega apenas metros quadrados. Ela revela formas de viver, histórias e identidades. Cada projeto é único.”


Personalização na planta cresce com os mais jovens

A busca por personalização também se reflete na forma de compra: 19% dos jovens entrevistados preferem adquirir imóveis ainda na planta, o que amplia as possibilidades de customização de acabamentos, layouts e funções.

Esse comportamento coloca pressão sobre construtoras e arquitetos para oferecer soluções flexíveis, adaptáveis e que atendam à crescente busca por identidade e bem-estar.


Conclusão: o lar como extensão da alma

Mais do que um bem material, o imóvel ideal para a nova geração é um reflexo da personalidade, da história e dos desejos de quem o habita. A volta da arquitetura emocional revela um desejo coletivo de viver com mais propósito, conforto e conexão.

Na era da personalização, o desafio para o mercado está em entender que projetar não é apenas construir, mas sentir.

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