A geroarquiteta e pesquisadora Flavia Ranieri será uma das palestrantes da Rio Innovation Week 2025, um dos maiores encontros de inovação e tecnologia da América Latina.
Com o tema “Moradia coletiva, cuidado para o envelhecimento ativo e diverso e a tecnologia”, a palestra – que acontece em 13 de agosto, às 14 horas – abordará a construção de novos modelos habitacionais no Brasil e no mundo que aliam sustentabilidade, inclusão e políticas públicas integradas para promover a dignidade, a autonomia e o bem-estar de pessoas idosas e com deficiência.
Com um olhar multidisciplinar e sensível às diversidades do envelhecer, as propostas de moradia coletiva apresentadas por Flavia Ranieri valorizam o convívio, o cuidado compartilhado e a interação comunitária – sem abrir mão da individualidade e da liberdade de escolha. “A tecnologia surge nessa equação como aliada estratégica desse processo, oferecendo soluções que vão desde dispositivos assistivos e sistemas inteligentes de monitoramento até plataformas de comunicação e oficinas digitais, ampliando a participação social e o acesso à informação. Esses arranjos habitacionais inovadores, alinhados à política do cuidado e à ética da inclusão, representam um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais preparada, sensível e comprometida com o envelhecimento ativo, plural e sustentável”, salienta a geroarquiteta.
Oportunidade de mercado alinhada à Economia Prateada
O Brasil vive uma transição demográfica acelerada, marcada pela queda nas taxas de natalidade e pelo rápido envelhecimento populacional. Esse movimento está redesenhando hábitos comportamentais e de consumo; impactando prioridades; e, sobretudo, ditando novas formas de morar. O país já conta, em 2025, com 29% da população com 50 anos ou mais; em 2044, esse grupo representará 40% da sociedade. A mudança estrutural impulsiona o crescimento da chamada Economia Prateada, que já movimenta US$ 22 trilhões no mundo e, nacionalmente, representa um mercado de R$ 1,8 trilhão por ano. A previsão é que atinja R$ 3,8 trilhões até 2044, de acordo com o Data8.
Nesse panorama, a habitação se consolida como prioridade financeira: entre 26% e 30% da renda mensal das pessoas com 50+ é destinada à moradia, o que aponta uma demanda crescente por soluções residenciais mais seguras, acessíveis, confortáveis e conectadas aos desejos da longevidade. Ao mesmo tempo, a moradia passa a ser vetor central da Economia Prateada e impulsiona toda uma cadeia de valor.
Flavia Ranieri salienta que o envelhecimento da população não transforma apenas o setor da construção civil: ele movimenta toda a cadeia de valor que orbita o morar: indústria moveleira; arquitetura e design de interiores; tecnologia residencial e health techs; e serviços de bem-estar, suporte à saúde e hospitalidade. “Esse fenômeno abre espaço para modelos de negócios mais rentáveis, sustentáveis e alinhados às reais necessidades e aos desejos do consumidor maduro, conectando diferentes setores em torno de uma mesma urgência: reinventar a experiência de habitar na maturidade. A moradia, nesse contexto, deixa de ser produto final e passa a ser plataforma para serviços, vínculos e qualidade de vida”, aponta.


